EVOLUÇÃO DA TERRA E A ORIGEM DO HOMEM

EVOLUÇÃO HUMANA

Aula 01 - O Reino Monera - Bactérias e Algas Azuis

Filme 01 - Estrutura das Bactérias - Filme 02 - Fisiologia das Bactérias

Aula 02 - O Reino Monera - Doenças Bacterianas

Filme 01 - Doenças Bacterianas Filme 02 - Doenças Bacterianas

Aula 03 - Intoxicação Alimentar

Intoxicação Alimentar

Aula 01 - Reino Protista

Filme 01 - Reino Protista - Unicelulares e Eucariontes Filme 02 - Biologia do Reino Protista

Aula 02 - Vida dos Protistas - Protozoários

Filme 01 - Biologia das Amebas - Rizopodes Excelente video, mas está sem o som... observe os movimentos da ameba: Filme 02 - Caracteristicas dos Ciliados Filme 03 - Ciliado - Paramecio (sem audio)

Aula 03 - Protozoarios Parasitas

Filme 01 - Classificação e Protozoarios parasitas 01 - Filme 02 - Doenças Causadas por Protozoários (continuação - Malária)

Aula 04 - Leishmaniose -

Aula 05 - Doença de Chagas

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Aula 06 - Amebiase

Filme 01 - Amebiase

Aula 07 - Giardiase

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

As Superbactérias


O uso indiscriminado (abusivo) dos antibióticos desde sua industrialização promoveu uma seleção natural das bactérias patogênicas (causadoras de doenças). Por isso as populações atuais desses micróbios são bastante resistentes aos medicamentos. Muitas vezes torna-se quase impossível combatê-las e para tanto é preciso usar antibióticos tão poderosos que causam problemas ao próprio paciente, como danos ao fígado ou tecido ósseo.

Os dentes por serem de natureza óssea costumam ser muito afetados, principalmente nas crianças antes da mudança da dentição. Isso acontece porque os dentes definitivos ainda estão em formação, daí a maior sensibilidade aos antibióticos.

Mas por quê? O tempo de ação irá depender de vários fatores , normalmente não considerados pelo leigo. Se a pessoa ingere uma penicilina ou uma amoxilina por 3 ou 4 dias, quando normalmente passam os sintomas, não cumpriu o tempo necessário para "destruir" as supostas bactérias, logo se transformou num criadouro de superbactérias (aquelas da seleção natural). E esse mesmo cidadão sai espirrando por aí.
A ingestão indiscriminada de antibióticos é um dos maiores crimes que se pode cometer contra a humanidade. Cada vez que um de nós toma remédios por automedicação ou interrompe o tratamento está criando a oportunidade para novas doenças se desenvolverem na população. Um exemplo clássico é a TMR ou Tuberculose multirresistente, um tipo de tuberculose na qual o bacilo é tão resistente que nenhuma droga conhecida consegue atacá-lo com eficiência. Normalmente a doença se desenvolve porque a pessoa não ingeriu a medicação o tempo correto (oito meses). A interrupção do tratamento se dá quando cessam os sintomas, mas enquanto isso o bacilo vai se multiplicando com uma resistência muito maior.
Divulgue este alerta, é importante. As pessoas que utilizam medicamentos sem orientação médica não sabem que podem mascarar a verdadeira doença ou piorá-la. Uma gripe, por exemplo, não é motivo para ingerir antibióticos, a receita caseira ainda é o melhor remédio: vitamina C e cama!

O que é Seleção Natural?


A seleção natural é o mecanismo pelo qual os seres mais resistentes, aqueles que já possuem características vantajosas, são selecionados pela natureza, isto é, conseguem sobreviver às pressões do ambiente. No caso, as bactérias mais resistentes sobrevivem e assim continuam a se reproduzir. À medida que novas drogas vão sendo utilizadas, as populações dos microorganismos apresentam cada vez mais resistência a diversos antibióticos. Assim surgem as superbactérias. O mecanismo da seleção natural foi descrito por Charles Darwin ainda no século XIX, logo após uma longa viagem por todo o planeta. Embora Darwin não conhecesse as leis da genética ou os princípios da hereditariedade, percebeu que as populações apresentavam indivíduos diferentes, e por este motivo podiam resistir às mudanças que ocorrem continuamente no ambiente.
Fonte: http://www.escolademestres.com/index.php?option=com_content&view=article&id=7:as-superbacterias&catid=6:ciencia-e-quotidiano&Itemid=8

Veja os Filmes Relacionados A Superbactéria:



A superbactéria e o medo de contágio

O alerta sobre o aparecimento de uma superbactéria resistente a quase todos os antibióticos e capaz de se espalhar pelos países do globo suscitou o medo do surgimento de uma nova pandemia – poucos dias após o anúncio da OMS sobre o fim da pandemia de gripe A (H1N1). Especialistas consultados por VEJA.com acreditam que a situação merece atenção, mas não há necessidade de alarmismo e mudanças no cotidiano das pessoas. “É preciso esclarecer para a população que o conceito de ‘super’ bactéria não quer dizer que é uma bactéria capaz de destruir tudo e deixar todos doentes. É um termo que utilizamos para explicar que é uma bactéria resistente a antibióticos”, explica Luiz Fernando Aranha Camargo, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Em artigo publicado pela revista científica Lancet na quarta-feira, um grupo de cientistas chamou a atenção para o isolamento de um gene (NDM-1) em dois tipos comuns de bactérias - Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli (E.coli). Essa mutação é responsável por tornar as duas bactérias resistentes aos principais grupos de antibióticos, os carbapenens – normalmente utilizados como última tentativa em tratamentos de emergência em pacientes em que os antibióticos não fazem mais efeito.

De acordo com os cientistas britânicos, as bactérias foram levadas ao Reino Unido por pacientes que viajaram à Índia e ao Paquistão para a realização de cirurgias eletivas (cirurgias que podem ser agendadas), inclusive estéticas. “É uma bactéria que pode viajar por causa da globalização, mas ela é transmitida dentro de um ambiente hospitalar”, explica Camargo.

Segundo Ana Gales, professora de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o grande problema de infecções causadas por bactérias como essas é que geralmente “restam pouquíssimas opções terapêuticas”. Há uma disponibilidade bastante restrita de drogas para o tratamento de infecções por bactérias resistentes e faltam estudos na área para saber sobre a eficácia delas.

“A necessidade por novas opções terapêuticas para o tratamento de infecções por bactérias multirresistentes é reconhecida pela comunidade científica. Tanto que existe uma iniciativa da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, que resumidamente sugere que os governos americano e europeus se comprometam no desenvolvimento de pelo menos novas dez drogas antimicrobianas até 2020”, explica Gales.

Prevenção – Em tese, o controle da resistência bacteriana é simples: pode ser feito a partir do o uso de luvas e aventais, até a simples higienização das mãos. A dificuldade é que nem sempre as orientações são seguidas. “A resistência bacteriana é um problema de saúde pública. Qualquer pessoa pode ser vítima de um acidente, ou ter câncer, necessitar de internação hospitalar e acabar adquirindo uma bactéria multirresistente”, diz Gales.

Para Camargo, os hospitais precisam ficar atentos ao alerta emitido pela Lancet. “Os hospitais precisam atualizar seus mecanismos para que estejam prevenidos quando essas bactérias chegarem ao país”, afirma.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/a-superbacteria-e-o-medo-de-contagio em 07 de abril de 2011

O que é Resistencia aos Antibióticos? Entenda assitndo ao filme acessando um filme disponível no link http://veja.abril.com.br/galerias-infograficos/afp/BacteriaAntibioticosPT1308/resistencia-antibioticos.shtml

A Cárie Dentaria



A cárie dentária pode ser definida como uma destruição localizada dos tecidos dentais causada pela acção das bactérias. A desmineralização dos tecidos dentais (esmalte, dentina ou cemento) é causada por ácidos, especialmente o ácido lático, produzido pela fermentação bacteriana dos carboidratos da dieta, geralmente a sacarose. A baixa do pH ocasiona dissolução do esmalte e transporte do cálcio e fosfato para o meio ambiente bucal;

Conceito:
Etimologicamente a palavra cárie significa material podre.[2] Apresenta-se como uma moléstia crônica que acomete grande parte da humanidade, com certo predomínio em algumas áreas dependendo da alimentação, higienização e fatores genéticos.
Processo patológico e localizado de origem externa que se inicia depois da erupção dental. Determina um amolecimento de tecido duro do dente e evoluciona para uma formação de uma cavidade.[3]
Doença infecciosa oportunista, de caráter multifatorial, fortemente influenciada pelos carboidratos da dieta e pela ação dos componentes salivares. [4]
Cárie dentária é um processo patológico de etiologia microbiana, que resulta na destruição localizada dos tecidos dentários.[5]
[editar] Considerações geraisÉ uma doença transmissível e infecciosa[6] de origem bacteriana. As bactérias que se encontram normalmente na boca transformam os restos de alguns alimentos em ácidos; tais ácidos, (lático, acético, butírico, propiônico, etc) formados por um processo de fermentação, atacam os tecidos mineralizados do dente.

Sua ação se dá através da degradação de açúcares e sua transformação em ácidos que corroem a porção mineralizada dos dentes. O flúor juntamente com o cálcio e um açúcar, chamado xilitol agem inibindo esse processo, contudo o flúor deve ser usado com moderação, devido a sua alta toxicidade. Além disso, quando não se escovam os dentes corretamente e neles acumulam-se restos de alimentos, as bactérias que vivem na boca aderem-se aos dentes, formando a placa bacteriana ou biofilme. Na placa, elas transformam o açúcar dos restos de alimentos em ácido, que por sua vez corrói o esmalte do dente formando uma cavidade, que é a cárie propriamente dita. Vale lembrar que a placa bacteriana se forma mesmo na ausência de ingestão de carboidratos fermentáveis, pois as bactérias possuem polissacarídeo intracelulares de reserva.

fonte: Para mais detalhes sobre a cárie dentaria clic no link http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A1rie

Pesquise sobre outras bactérias patogênicas -

No link abaixo você encontrará uma referencia para o estudo das bacterias patogênicas. Confira!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bact%C3%A9ria

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bactérias patogênicas: Miscelânea Entérica

MISCELÂNEA ENTÉRICA

1. Descrição da doença - gastroenterite, esporadicamente e ocasionalmente causada por alguns gêneros Gram-negativos.

2. Agente etiológico - gênero Gram-negativo incluindo Klebsiella, Enterobacter, Proteus, Citrobacter, Aerobacter, Providencia e Serratia. Essas bactérias entéricas (intestinais), estes bastonetes têm sido apontadas como causas de doenças gastrointestinais agudas e crônicas. Esses microrganismos podem ser encontrados no meio ambiente natural, tais como em florestas, água, produtos de fazenda (vegetais) como microflora natural. Podem ser encontrados nas fezes de indivíduos saudáveis sem sintomas da doença. A proporção relativa de cepas patogênica e não-patogênica é desconhecida.



3. Natureza da doença - a gastroenterite aguda é caracterizada por dois ou mais sintomas – vômito, náusea, febre, calafrio, dor abdominal, diarréia líquida (desidratante) ocorrendo 12 a 24 horas após a ingestão do alimento ou água contaminada. A forma crônica é caracterizada pelos sintomas disentéricos – gosto ruim na boca, fezes diarreicas com muco, flatulência e distensão abdominal, podendo continuar por meses e requerendo tratamento com antibiótico. A dose infecciosa é desconhecida. Suspeita-se que ambas as formas, aguda e crônica, resultam da elaboração de enterotoxinas. Esses microrganismos podem se transformar transitoriamente em virulentos por adquirirem elementos genéticos de mobilidade de outros patógenos.



4. Diagnóstico - métodos de recuperação e identificação desses patógenos em alimentos, água ou amostras diarreicas são baseadas na eficácia da média seletiva e resultados dos ensaios microbiológicos e bioquímicos. A capacidade de produzir enterotoxina (s) pode ser determinada pela cultura de células e bioensaios em animais, métodos sorológicos ou provas genéticas.



5. Alimentos associados - essas bactérias têm sido encontradas em laticínios, frutos do mar (crustáceos) e vegetais frescos crus.



6. Ocorrência - a forma aguda pode ocorrer mais freqüentemente em áreas não desenvolvidas do mundo. A crônica é comum em crianças desnutridas morando sem condições sanitárias em países tropicais.



7. Curso natural da doença e complicações - indivíduos saudáveis recuperam-se rapidamente sem tratamento da forma aguda. As crianças desnutridas (1-4 anos) e bebês que têm diarréia crônica logo desenvolvem anormalidades estruturais e funcionais no trato intestinal resultando em uma perda da capacidade de absorver nutrientes. A morte é comum nessas crianças e resulta indiretamente dos efeitos toxigênicos crônicos os quais produzem a má-absorção e má-nutrição (desnutrição).



8. Susceptibilidade - todas as pessoas podem ser susceptíveis às formas patogênicas dessas bactérias. A doença prolongada é mais comumente encontrada entre os mais jovens.



9. Análise dos alimentos - essas cepas são recuperadas por procedimentos padrões de isolamento seletivos e diferenciais para bactérias entéricas. Ensaios bioquímicos e in vitro podem ser usados para determinar espécies e potencial patogênico. Não sendo usualmente encontrados como patógenos humanos, eles acabam sendo facilmente omitidos pelo laboratório clínico.



10. Surtos da doença - infecções intestinais esporádicas nos países desenvolvidos e surtos comuns em áreas não desenvolvidas.



11. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995
FDA/CFSAN Bad Bug Book – Mycelaneous enteric. Internet http://www.fda.gov




Texto elaborado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar - CVE/SES-SP, com a colaboração dos alunos do I Curso de Especialização em Epidemiologia Aplicada às Doenças Transmitidas por Alimentos - Convênio CVE-SES/SP/FSP-USP, ano 2000/2001.



São Paulo, 29 de Junho de 2001.

Bactérias patogênicas: Yersinia enterocolitica e Y. pseudotuberculosis

YERSINIA ENTEROCOLITICA/YERSINIA PSEUDOTUBERCULOSIS


1. Descrição da doença - Yersiniose é o nome atribuído a uma gastroenterite veiculada por alimentos e causada por duas espécies patogênicas do gênero Yersinia (Y. enterocolitica e Y. pseudotuberculosis) que se caracteriza por diarréia aguda e febre (principalmente em crianças jovens), dor abdominal, linfadenite mesentérica aguda simulando apendicite (em crianças mais velhas e adultos), com complicações em alguns casos como eritema nodoso (em cerca de 10% dos adultos, principalmente mulheres), artrite pós-infecciosa (50% dos adultos infectados) e infecção sistêmica. Diarréia sanguinolenta pode ocorrer em 10 a 30% das crianças infectadas por Y. enterocolitica. A bactéria pode causar também infecções em outros locais como feridas, juntas e trato urinário. Uma terceira espécie patogênica, a Y. pestis, agente causal da "peste" e geneticamente similar à Y. pseudotuberculosis, infecta humanos por outras vias que não o alimento.



2. Agente etiológico - Y. enterocolitica e Y. pseudotuberculosis são bacilo gram-negativo. Y. enterocolitica não faz parte da flora normal humana, mas, tem sido isolada, freqüentemente, de fezes, feridas, escarro e linfonodos mesentéricos de seres humanos. Y. pseudotuberculosis tem sido isolada do apêndice doente de humanos. Ambas espécies são encontradas em animais como porcos, pássaros, esquilos, gatos e cachorros. Somente a Y. enterocolitica foi detectada em meio ambiente (lagos, tanques) e alimentos (carnes, sorvetes e leite). A dose infectiva permanece ainda desconhecida.



3. Ocorrência - de distribuição mundial, mais comum no norte da Europa, Escandinávia e Japão, porém, não muito freqüente. Estimativas apontam para a ocorrência de cerca de 17 mil casos, anualmente, nos Estados Unidos. No Brasil, não há dados.



4. Reservatório - animais, principalmente o porco, que carrega a Y. enterocolitica na faringe, especialmente no inverno. A Y. pseudotuberculosis é encontrada em várias espécies de aves e mamíferos, incluindo-se os roedores e outros pequenos mamíferos.



5. Período de incubação - provavelmente 3 a 7 dias; geralmente menos que 10 dias.



6. Modo de transmissão - transmissão fecal-oral através da água e alimentos contaminados, ou por contato com pessoas ou animais infectados. A Y. enterocolitica tem sido isolada de uma grande variedade de alimentos, mais comumente de produtos a base de carne suína. Devido a sua capacidade de se multiplicar sob condições de refrigeração e microaerofilia, aumenta-se o risco de adquirir a infecção quando carnes armazenadas em embalagens plásticas à vácuo são consumidas mal cozidas. Transmissão hospitalar tem sido relatada, assim como, transmissão transfusional devido a sangue de doadores assintomáticos ou que tiveram gastroenterite leve.



7. Susceptibilidade e resistência - crianças, indivíduos debilitados ou imunodeprimidos e idosos.



8. Conduta médica e diagnóstico - o diagnóstico é firmado pelo isolamento do microrganismo em cultura de fezes. A Yersinia pode também ser isolada de sangue ou vômito e do apêndice, quando da apendicectomia. Diagnóstico sorológico é possível através de teste de aglutinação ou ELISA. Yersionioses têm sido freqüentemente diagnosticadas erroneamente como Doença de Crohn (enterite regional) ou como apendicites, levando à desnecessárias apendicectomias.



9. Tratamento - estes microrganismos são sensíveis a vários antibióticos, mas são resistentes geralmente à penicilina e seus derivados. Hidratação oral ou endovenosa pode ser necessária para os sintomas da gastroenterite. Antibióticos estão definitivamente indicados nas septicemias e outras doenças invasivas. Os aminoglicosídeos são os antibióticos de escolha (somente para a septicemia), bem como, a associação sulfametoxazol/trimetoprim (SMX/TMP). Ciprofloxacin e tetraciclinas também se mostram eficazes.



10. Alimentos associados - cepas de Y. enterocolitica podem ser encontradas em carnes suína, bovina, de carneiro, etc., em ostras, peixes e leite cru. O exato mecanismo de contaminação ainda é desconhecido. Entretanto, a prevalência deste organismo no solo e na água e em animais como porcos, esquilos e outros roedores oferece as condições para a contaminação dos alimentos, especialmente, em locais com precárias condições sanitárias, técnicas impróprias de esterilização, práticas inadequadas de preparo de alimentos, armazenamento incorreto de matéria-prima, dentre outros fatores.



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas, medidas educativas e outras. Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – boas práticas de preparo dos alimentos, especialmente, evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas e leite não pasteurizado. Orientação quanto à lavagem das mãos para os preparadores de alimentos especialmente ao manipular carne de porco e quanto à contaminação cruzada. Proteção dos alimentos e da água contra roedores e outros animais para evitar a contaminação fecal. Ingerir água tratada. No abate de suínos remover cabeça e pescoço para evitar a contaminação da carne pela faringe que é altamente colonizada pelo patógeno. 3) medidas em epidemias – investigação do surto e identificação das fontes de transmissão para controle e prevenção. Precauções devem ser tomadas em relação à pacientes no hospital ou às crianças em creches. Manipuladores de alimento doentes devem ser afastados. Surtos de "apendicites" devem ser notificados e investigados, mesmo na ausência de identificação do agente etiológico, buscando-se uma provável fonte alimentar ou contato com animais.



12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 524-527.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Yersinia enterocolitica. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap5.html





Texto organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, abril de 2003.

Bactérias patogênicas: Vibrio vulnificus

VIBRIO VULNIFICUS


1. Descrição da doença - este organismo causa infecções em feridas, gastroenterites ou a síndrome conhecida como "septicemia primária". Infecções mais graves geralmente ocorrem em pessoas com comprometimento hepático, alcoolismo crônico ou hemocromatose e em imunodeprimidos. Nesses indivíduos o microrganismo atinge a corrente sangüínea, provocando o choque séptico, levando rapidamente à morte (cerca de 50% dos casos). Trombocitopenia é comum e muitas vezes há evidências de coagulação intravascular disseminada. Lesões na pele ou lacerações provocadas por corais, peixes, etc., podem ser contaminadas com o organismo através da água do mar. Mais de 70% das pessoas infectadas podem apresentar lesões de pele tipo bulbar. Pessoas saudáveis ao ingerirem V. vulnificus podem ter gastroenterite. A dose infectiva que causa gastroenterite em indivíduos saudáveis é desconhecida. Presume-se que menos de 100 organismos possam provocar septicemia em pessoas com doenças nas condições anteriormente descritas.



2. Agente etiológico - Vibrio vulnificus. É um patógeno oportunista, gram-negativo, halofílico, fermentador de lactose, encontrado em ambientes marinhos associado a várias espécies marinhas como planctons, frutos do mar (ostras, mexilhões, caranguejos) e peixes com barbatanas. Sua sobrevivência está ligada a fatores como temperatura, pH, salinidade, e aumento de resíduos orgânicos neste meio.



3. Ocorrência - casos esporádicos podem ocorrer nos meses quentes do ano. Não há dados sobre a freqüência do patógeno Brasil.



4. Reservatório - o meio ambiente marinho é seu habitat natural, bem como, várias espécies marinhas.



5. Período de incubação - início da gastroenterite entre 12 horas e 3 dias após a ingestão de alimentos crus ou mal cozidos.



6. Modo de transmissão - ingestão de produtos do mar crus ou mal cozidos ou contaminação de feridas com o microrganismo.



7. Susceptibilidade e resistência - susceptibilidade geral para indivíduos saudáveis que ingiram alimentos contaminados. Indivíduos com comprometimento hepático, imunodeprimidos e outras doenças graves podem apresentar a "septicemia primária".



8. Conduta médica e diagnóstico - isolamento do organismo em feridas, fezes diarréicas ou no sangue é diagnóstico da doença.



9. Tratamento - hidratação oral ou endovenosa para indivíduos com gastroenterite que podem necessitar também de tratamento com antibióticos (tetraciclina é a droga de escolha). As lesões devem ser tratadas com antibiótico. Os indivíduos com doenças de base e complicações irão requer tratamentos específicos.



10. Alimentos associados - ostras, mexilhões e caranguejos consumidos crus ou mal cozidos. O método para isolamento do organismo no alimento é similar ao da cultura de fezes.



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas e educativas. Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – consumo de produtos adequadamente cozidos. Alerta para as pessoas com doenças graves e imunodeprimidos sobre o risco do consumo de produtos do mar crus. 3) medidas em epidemias – investigação dos surtos e identificação de fontes de transmissão; conscientização da população sobre os riscos de ingestão de produtos do mar crus.





12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 191.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Vibrio vulnificus. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap10.html





Texto organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, abril 2003.

Bactérias patogenicas: Vibrio parahaemolyticus

VIBRIO PARAHAEMOLYTICUS


1. Descrição da doença - gastroenterite associada ao V. parahaemolyticus é o nome da doença causada por este organismo. Diarréia líquida, cólica abdominal, náusea, vômitos, dor de cabeça, febre e calafrios são sintomas que podem estar presentes na infecção por este organismo. Ocasionalmente, diarréia com sangue ou muco pode ser observada. A doença é geralmente leve ou moderada, embora alguns casos podem requerer hospitalização. A duração da doença pode variar de 2 a 7 dias. Infecção sistêmica e morte raramente ocorrem. A doença é causada quando o organismo fixa-se no intestino delgado dos indivíduos e excreta uma toxina ainda não identificada. A dose infectiva para causar a infecção é geralmente maior que 1 milhão de organismos, podendo ser menor quando se faz uso de antiácidos.



2. Agente etiológico - Vibrio parahaemolyticus e outros Vibrios marinhos que podem veicular doenças através dos alimentos - Vibrio spp. Foram identificados 12 diferentes grupos de antígeno "O" e aproximadamente 60 diferentes antígenos tipo "K". Cepas patogênicas são geralmente capazes de produzir uma reação hemolítica característica - fenômeno de Kanagawa. A bactéria patogênica ou não patogênica é freqüentemente isolada de estuários e ambiente marinho e de peixes e moluscos vivendo neste meio.



3. Ocorrência - casos esporádicos e surtos têm sido registrados em várias partes do mundo como Japão, Sul da Ásia e Estados Unidos, ocorrendo principalmente em meses quentes. Não há dados sobre a freqüência do patógeno Brasil.



4. Reservatório - o meio ambiente marinho é seu habitat natural. Nos meses frios pode ser encontrado no lodo marinho; nos meses quentes são encontrados livremente na água do mar ou nos peixes e moluscos.



5. Período de incubação - Entre 12 e 24 horas após a ingestão de alimentos contaminados, podendo, contudo os sintomas iniciarem em uma faixa de 4 a 30 horas.



6. Modo de transmissão - ingestão de produtos do mar crus ou mal cozidos, ou por contaminação cruzada no preparo de alimentos ou pela higienização dos alimentos com água do mar. A permanência em temperatura ambiente por um determinado período permite a multiplicação dos organismos no alimento na dose infectiva que causa a doença.



7. Susceptibilidade e resistência - susceptibilidade geral.



8. Conduta médica e diagnóstico - o diagnóstico é confirmado pelo isolamento de vibrios Kanagawa-positivo de fezes de pacientes em meio apropriado ou do alimento incriminado epidemiologicamente (> 105 organismos por grama - freqüentemente de frutos do mar).



9. Tratamento - hidratação oral ou endovenosa podendo requerer tratamento com antibióticos nos casos hospitalizados.



10. Alimentos associados - peixes e moluscos (em geral, ostras), crus ou mal cozidos. Há uma correlação entre a doença e o consumo dos alimentos nos meses quentes do ano. Refrigeração imprópria dos alimentos contaminados ou permanência deles em temperatura ambiente que favoreça a proliferação dos microrganismos.



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas e educativas. Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – consumo de produtos adequadamente cozidos ou refrigerados; educação dos manipuladores de alimentos sobre os fatores de risco/proliferação e contaminações cruzadas. 3) medidas em epidemias – investigação dos surtos e identificação de fontes de transmissão; conscientização da população sobre os riscos de ingestão de produtos do mar crus e outras medidas sobre o preparo de alimentos.





12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 189-191.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Vibrio parahaemolyticus. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap9.html





Texto organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, abril 2003.

Bactérias patogênicas: Vibrio cholerae/Cólera

Vibrio cholerae/Cólera


1. Descrição da doença - doença infecciosa intestinal aguda, de transmissão predominantemente hídrica, que se caracteriza, em sua forma mais evidente, por diarréia aquosa súbita, profusa e sem dor, vômitos ocasionais, desidratação rápida, acidose e colapso circulatório. A infecção assintomática é muito mais freqüente do que a aparição do quadro clínico, especialmente no caso do biotipo El Tor, onde são comuns os casos leves, somente com diarréia, particularmente em crianças. Em casos graves não tratados, a pessoa pode morrer em horas e a taxa de mortalidade exceder 50%. Com tratamento adequado a taxa é menor que 1%. O vibrião colérico produz enterotoxina que parece ser totalmente responsável pela perda maciça de líquidos O V. cholerae, ao penetrar no intestino delgado, em quantidade suficiente para produzir infecção , inicia processo de multiplicação bacteriana, elaborando a enterotoxina que induz a secreção intestinal, associada à secreção de AMP-cíclico intestinal





2. Agente etiológico e toxina - o Vibrio cholerae, ao exame microscópico de esfregaços corados pelo método de Gram é um bacilo Gram negativo e se apresenta na forma de bastonete encurvado. É um bacilo móvel. Pertence ao gênero Vibrio e à família Vibrionaceae. Pode ser classificado em 2 biotipos: o clássico e El Tor. Dependendo da constituição antigênica o Vibrio cholerae O1 pode ser dividido em 3 sorotipos: Inaba, Ogawa e Hikojima. Cepas toxigênicas destes microrganismos elaboram a mesma enterotoxina, de tal forma que o quadro clínico é semelhante. Em uma epidemia tende a predominar um tipo particular.

Toxina colérica: A enterotoxina colérica é a causa principal da diarréia maciça causada pelo V.cholerae. A patogênese da cólera está intimamente associada à produção e ação desta toxina sobre as células epiteliais do intestino delgado. Os bacilos penetram no organismo humano por via oral e, após ultrapassarem a barreira gástrica, colonizam o intestino delgado produzindo a toxina colérica, seu principal fator de virulência. Cada molécula da toxina colérica é constituída de cinco subunidades B e uma subunidade A. A subunidade B é responsável pela ligação da toxina a um receptor da célula intestinal e a subunidade A é a parte enzimaticamente ativa que atua sobre as células da mucosa intestinal provocando desequilíbrio hidroeletrolítico, resultando na secreção abundante de líquido isotônico.




3. Modo de transmissão - o Vibrio cholerae eliminado pela fezes e vômitos de pessoas infectadas, sintomáticas ou não, pode transmitir-se a outras pessoas de 2 modos:


transmissão indireta - via mais freqüente e responsável pelas epidemias. A ocorrência de casos é devida à ingestão de água ou de alimentos contaminados.


transmissão direta - menos freqüente, potencialmente pode ocorrer em ambiente domiciliar ou institucional, através das mãos contaminadas (do próprio infectado ou de alguém responsável por sua higiene pessoal ou de sanitários), levadas à boca.




4. Período de incubação - em geral de 2 a 3 dias, com extremos de apenas algumas horas até 5 dias.




5. Conduta médica e diagnóstico – a infecção pode variar desde a ausência de sintomas (mais freqüente) até à sintomatologia clássica que são os quadros mais graves. O quadro clássico de cólera corresponde aos casos com diarréia súbita e intensa, líquida (com aspecto de água de arroz), sem sangue, sem febre, acompanhada ou não de vômitos e cãibras musculares. Na ausência de tratamento adequado, a perda de água e eletrólitos pode que conduzir a estado de desidratação profunda.

A. a anamnese deve ser dirigida, buscando verificar a estada recente do paciente em regiões endêmicas ou epidêmicas ou a contato com pessoas recém-chegadas destas áreas, alimentos ingeridos no período, existência ou não de saneamento básico no local de moradia e condições de vida.

B. os exames laboratoriais consistem habitualmente do cultivo de fezes e/ou vômito, com o objetivo de isolar e identificar bioquimicamente o Vibrio cholerae, bem como, realizar sua caracterização sorológica.

C. o diagnóstico diferencial deve ser feito com:

a. As demais diarréias agudas de outras etiologias que podem evoluir com síndrome coleriforme, como por exemplo, as causadas por E.coli enterotoxigênica.

b. Síndromes disenteriformes causadas por amebas e bactérias, enterite por vibriões não aglutináveis, febre tifóide e forma álgica da malária maligna ou tropical.

c. Diarréia por bactérias: E.coli, Shigella, Salmonella não Typhi, Campylobacter, Yersínia, etc..

d. Diarréia por vírus: Rotavírus, Adenovírus entéricos.

e. Diarréia por protozoários: Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Criptosporidium. Podem também ser concomitantes à infecção pelo Vibrio cholerae.

f. Diarréia por helmintos: Strongylóides stercoralis e Schistossoma mansoni, na forma toxêmica.

g. Diarréia na AIDS.

h. Outras doenças de veiculação hídirca- alimentar: principalmente por S. aureus, C. botulinum e B. cereus.





6. Tratamento - o tratamento é simples e barato e deve ser administrado preferencialmente no local do primeiro atendimento. Em situações epidêmicas devem-se adequar os serviços de saúde para que atendam e tratem os doentes de sua área geográfica, evitando transferi-los. A prevenção dos óbitos está na dependência da qualidade e rapidez da assistência médica prestada, daí a importância da descentralização.

Os medicamentos antidiarréicos, antiespasmódicos e corticosteróides não devem ser usados.


- Hidratação: a base do tratamento para cólera é a reposição imediata de líquidos com volume suficiente de soluções hidroeletrolíticas para compensar a desidratação, acidose e hipocalemia. Formas leves e moderadas deve-se proceder à hidratação oral, com soro de reidratação oral (SRO)




- Antibioticoterapia: será reservada às formas graves da doença. O quadro abaixo apresenta as principais drogas e posologias:


Paciente
Droga
Posologia

Menores de 8 anos
*SMX(50mg/kg/dia)+

TMP(10mg/kg/dia)
12 em 12 hs, por 3 dias

8 anos ou mais
Tetraciclina (500 mg/dose)
6 em 6 hs, por 3 dias

Gestantes e nutrizes
Ampicilina (500 mg/dose)
6 em 6 hs, por 3 dias


Fonte: Manual de Tratamento da Cólera- M.S.

* SMX – Sulfametoxasol; TMP - Trimetoprima





7. Complicações - a doença pode provocar insuficiência renal aguda, aborto e parto prematuro, hipoglicemia ( mais grave em crianças), e outras complicações mais raras como, colecistite e úlcera de córnea. O atendimento rápido e adequado reduz a taxa de letalidade para menos de 1%.


8. Distribuição e freqüência da doença: Clicar no link par ver tabelas sobre a pesaquisa http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/IF_514COL.htm


9. Conduta epidemiológica

9.1 - definição de caso:

a- suspeito: na fase pré-epidêmica (sem evidência de circulação do V. cholerae Pessoa proveniente da região endêmica que, no prazo máximo de 10 dias, apresente diarréia com fezes líquidas e sem sangue, de início súbito;


Pessoa comunicante de indivíduo que tenha chegado nos últimos 30 dias, de região endêmica ou epidêmica, que passe a apresentar diarréia com fezes líquidas e sem sangue, de início súbito;

Pessoa de idade maior ou igual a 5 anos que apresente diarréia com fezes líquidas e sem sangue, de início súbito.
Na fase epidêmica (com circulação comprovada do V. cholerae Qualquer pessoa, independente da idade, que apresente diarréia aguda.


b- confirmado por laboratório, qualquer paciente com diarréia do qual tenha sido isolado o V. cholerae das fezes ou vômito;


c- confirmado clínico-epidemiológico,


em áreas sem evidência da circulação do V. cholerae: diarréia aquosa aguda, em indivíduos com 5 anos ou mais, provenientes de área com circulação do vibrião, desde que sua chegada tenha se dado até no máximo 10 dias e que exames laboratoriais não tenham evidenciado outra etiologia. Esse caso será considerado importado para a região onde foi atendido e autóctone para a de origem;

em áreas com circulação do V. cholerae: diarréia aquosa aguda, em indivíduos com 5 anos ou mais, desde que não haja diagnóstico clínico ou laboratorial de outra etiologia; crianças menores de 5 anos com diarréia aguda e história de contato com caso de cólera, nos últimos 10 dias, desde que não haja diagnóstico clínico ou laboratorial de outra etiologia;

9.2 - a notificação: o serviço que realizou o atendimento do caso suspeito deve comunicar, o mais rápido possível, o órgão de Vigilância Epidemiológica responsável por sua região ou à Central de Vigilância Epidemiológica, através do telefone 0800-555466 para que sejam desencadeadas as medidas de prevenção e interrupção da cadeia de transmissão da doença. As unidades de Vigilância Epidemiológica deverão comunicar imediatamente à Central do CVE, sem prejuízo da comunicação às demais instâncias do sistema.


9.3 - a investigação epidemiológica parte da notificação e deve responder à perguntas básicas como quem foi afetado, quando, onde e como foi contaminado, desencadeando as medidas de saúde pública necessárias. Preencher a Ficha Epidemiológica de Cólera e informar estes dados no sistema SINAN. Acionar a Vigilância Sanitária e os órgãos de Saneamento e Meio Ambiente para o desencadeamento de medidas de prevenção do alastramento da doença no meio ambiente. Existe ainda, em São Paulo, a Comissão Estadual de Controle e Prevenção da Cólera que acompanha o programa de controle e prevenção da cólera.


9.4 - acompanhamento do caso e vigilância de comunicantes: os cuidados e orientações aos familiares (comunicantes) são importantes para impedir o alastramento da cólera. Aos casos internados deve-se dispensar as precauções entéricas. A vigilância dos contatos deve ser feita durante 5 dias a partir da última exposição. Não se indica mais a quimioprofilaxia para os comunicantes domiciliares por esta ter se mostrado ineficaz.

O monitoramento ambiental, do Vibrio cholera em esgotos vem sendo realizado pela CETESB, em pontos críticos, previamente definidos por critérios epidemiológicos (em terminais rodoviários, portos, aeroportos, pontos de descanso de caminhoneiros, favelas, etc.) visando detectar sua presença e introduzir medidas precoces contra seu alastramento. Pode-se também implementar programas de monitoramento de alimentos, para rastreamento do V. cholerae com base em critérios epidemiológicos, especialmente em regiões onde há comércio de frutos do mar e pescados, pontos centralizados de distribuição de alimentos, etc.. As medidas educativas de higiene e preparo de alimentos tem efeito mais preponderante na prevenção.

(ver o Manual Integrado de Prevenção e Controle da Cólera- FNS/MS/Comissão Nacional de Prevenção de Cólera ou o Guia de Vigilância Epidemiológica - Capítulo 5 - FNS/MS - http://www.fns.gov.br/cenepi/GVE/GVE0502a.htm).




10. Conduta sanitária - a Vigilância Sanitária deverá inspecionar a área onde ocorreram os casos ou o caso, em conjunto com os órgãos de saneamento e meio ambiente, para verificação dos sistemas de água para consumo humano, esgotamento sanitário, drenagem, coleta e disposição de lixo, visando garantir a proteção dos mananciais, qualidade das águas de abastecimento público, orientação às populações desprovidas dos sistemas de abastecimento público, orientações de higiene, limpeza e desinfecção de reservatórios domiciliares, outras orientações educativas relativas ao preparo e cocção de alimentos, desinfecção de verduras e frutas, cuidados pessoais de higiene, etc.. Os cuidados com os alimentos e a água são fundamentais. Medidas devem ser tomadas para garantir a pureza e tratamento da água para beber, lavar pratos, recipientes, etc.. Em regiões onde o abastecimento da água é público verificar se está sendo devidamente clorada. As medidas de higiene, preparo, manipulação e cocção dos alimentos, de proteção contra as moscas e contaminações devem ser divulgadas para a família e para toda a comunidade, para evitar o alastramento da cólera.




11. Diagnóstico Laboratorial: A atuação do laboratório na vigilância da cólera é essencial para: detectar a entrada do V. cholerae O1 em uma determinada área; monitorar sua presença contínua ou o seu desaparecimento; determinar a sensibilidade aos antimicrobianos e identificar a sua presença no meio ambiente. Considerando a existência de cepas de V.cholerae O1 não toxigênicas, cabe também ao laboratório demonstrar se a cepa isolada é toxigênica , especialmente na monitorização do meio ambiente.


Conduta laboratorial - o diagnóstico laboratorial da Cólera é dado pelo isolamento do Vibrio cholerae O1 de fezes recém emitidas. Como o sucesso da investigação laboratorial depende da coleta e transporte adequados das amostras fecais, são importantes as seguintes observações:


a) em relação ao caso

1. as amostras fecais devem ser coletadas logo após o início dos sintomas, pois o número de vibriões diminui drasticamente já no terceiro dia da doença.
2. as amostras fecais devem ser coletadas antes da antibioticoterapia, pois no período de algumas horas após a administração do antibiótico, há uma completa eliminação do vibrião das fezes.
3. as amostras fecais (fezes in natura) devem ser coletadas em frascos limpos de boca larga (preferencialmente esterilizados ou fervidos). Após a coleta, os frascos devem ser hermeticamente fechados para evitar o extravasamento do material.


se o tempo entre a coleta do material e o transporte do mesmo, ao laboratório, não exceder duas horas, as amostras poderão ser transportadas à temperatura ambiente;

se este prazo for superior a duas horas (prazo máximo de cinco horas ), o transporte deverá ser realizado sob refrigeração;

nos locais distantes, onde o prazo entre a coleta e o processamento do material ultrapassa cinco horas, deverá ser realizado um swab fecal. Para isso, mergulhar a parte inferior do swab nas fezes recém emitidas e coletadas no frasco, introduzindo, a seguir, o swab no meio de Cary Blair . O swab, após a coleta, deve ser introduzido no meio de cultura impedindo assim a dessecação do material. 4. a coleta de fezes diretamente do reto (swab retal) deverá ser realizada introduzindo o swab na ampola retal (2-4 cm). É importante assegurar-se de que matéria fecal foi coletada, principalmente se no momento da coleta, o paciente não estiver eliminando fezes. Considerando que o swab absorve apenas cerca de 0.1ml de material fecal e que convalescentes e pacientes assintomáticos eliminam um número pequeno de vibriões, o swab retal é menos satisfatório do que o swab fecal ou do que as fezes in natura.

O Manual de Vigilância Epidemiológica para Cólera - CVE, contém instruções adicionais para a coleta e transporte das amostras.


b) em relação aos alimentos

1) em alimentos e vegetais ácidos os vibriões sobrevivem pouco tempo. Permanecem vivos, no leite e em produtos lácteos, de 7 a 14 dias; em doces de leite, 1 a 2 dias; em alimentos e frutas conservadas sob refrigeração sobrevivem mais tempo do que aqueles mantidos em temperatura ambiente. Nos pescados e mariscos a sobrevivência é de 2 a 5 dias em temperatura ambiente e de 7 a 14 dias sob refrigeração. O V.cholerae pode ser veiculado por consumo de alimentos contaminados na origem (verduras e pescados crus) ou após sua cocção (qualquer alimento pronto para consumo e em especial, os não ácidos

2) na água, estudos ecológicos concernentes ao V. cholerae O1 mostram que essa bactéria está estreitamente relacionada com a água, na conformidade dos resultados a partir de experimentos laboratoriais e das observações de campo, efetuadas através de análises epidemiológicas.

Experimentalmente, o vibrião colérico pode sobreviver de 10 a 13 dias, em temperatura ambiente, e até 60 dias em água do mar, sob refrigeração. Em água doce, mais especificamente, água mineral engarrafada, sua sobrevivência atinge até 19 dias,

As observações em ambiente marinho assinalam a maior sobrevivência em águas costeiras e estuarinas, em contraposição às de alto mar. Esse fenômeno é importante, embora ainda não de todo explicado. Em águas doces superficiais, constata-se a existência de relação entre a presença de esgoto humano e o V. cholerae. Entretanto, o isolamento do vibrião, nas águas superficiais e de estuários, somente é possível quando a contaminação fecal é constante.






ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DO V.cholerae

O isolamento do V.cholerae, a partir da cultura direta das fezes e após enriquecimento em água peptonada alcalina, é feito em meio seletivo TCBS (tiossulfato,citrato,bile e sacarose). O diagnóstico será confirmado pela análise das características bioquímicas e sorológicas da cepa isolada.

Todos os laboratórios treinados para a realização do diagnóstico da cólera farão o isolamento utilizando os meios de cultura adequados e anti-soro polivalente O1. As cepas suspeitas de V.cholerae O1 deverão ser enviadas para o Instituto Adolfo Lutz que é o laboratório de referência, para confirmação do diagnóstico, determinação do sorotipo, da sensibilidade aos agentes antimicrobianos e da toxigenicidade, para os seguintes estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Considerando que na maioria dos casos de cólera, causada pelo biotipo El Tor do V.cholerae O1 , as manifestações clínicas se assemelham às das diarréias de outras etiologias, recomenda-se que todas as amostras provenientes de casos suspeitos de cólera, sejam submetidas também à pesquisa de outros enteropatógenos, tais como, Escherichia coli (EPEC, ETEC, EIEC) , Shigella, Salmonella , Ca

mpylobacter e Yersinia enterocolitica.




12. Conduta educativa

1) educação sanitária da população em geral, de produtores e manipuladores de alimentos (ver manipulação de alimentos, manipulador de alimentos, regras de ouro da OMS), donas de casas, merendeiras, ambulantes, etc., quanto à higiene, preparo e conservação dos alimentos e informações sobre a doença (ver folhetos, cartilha da cólera, informes técnicos, cartazes de condutas para médicos, e educação para a prevenção de cólera).

2) recomendações específicas de prevenção e cuidados para a população sobre:

Como tratar os alimentos :





verduras, legumes e frutas


Retirar as partes estragadas;

Lavar em água tratada, retirando a terra e as sujidades;

Em seguida, colocar de molho, numa solução de 1 colher das de sopa de água sanitária a 2,5 % de concentração em 1 litro de água (ou 15 gotas do cloro - quando o produto disponível for em gotas), as folhas das verduras, legumes e frutas ainda com casca, por 30 minutos. Para evitar contaminações, recomenda-se não enxaguar.

Não utilize a solução clorada mais de uma vez;

Adquirir água sanitária pura (sem outros produtos de limpeza como sabões, etc.) e na concentração de 2,5 %, com a finalidade de desinfecção. O frasco deve ser escuro e com tampa, para evitar a perda de efeito do cloro, e deve ter registro no Ministério da Saúde; nome e endereço do fabricante; data de fabricação e prazo de validade. O mesmo é válido para os produtos em gotas. Não utilizar produtos vendidos a granel de procedência duvidosa.


leite e derivados


Não consumir leite cru;

Somente consumir leite pasteurizado;

Os derivados do leite (queijo, manteiga, iogurtes) devem ser produzidos com leite pasteurizados e devem ser conservados sob refrigeração; não consumir produtos de origem duvidosa.

Manter o leite na geladeira por no máximo 24 horas. Sempre ferver por 15 minutos antes de consumir.


carnes e aves


As carnes de boi, frango, suínos, linguiças, etc., devem vir de frigoríficos que estejam sob controle sanitário; nunca consuma produtos de origem duvidosa ou de abate clandestino.

O vibrião da cólera não se desenvolve em carnes ou peixes salgados ( tipo carne de sol, bacalhau, etc. );

Devem ser bem cozidas, fritas ou assadas;

Nunca devem ser consumidas cruas.




pescados e frutos do mar


Não devem ser consumidos crus;

Devem estar em bom estado de conservação;

O vibrião colérico é destruído por cozimento durante 15 minutos;

Conservá-los sempre sob refrigeração (parte superior do refrigerador).


Água


Beba somente água tratada;

Nas regiões onde a água não é tratada, alguns cuidados são necessários:

Ferva a água durante 5 minutos e, depois de fria, agite-a bem; ou

Adicione, para cada litro de água, 2 gotas de Hipoclorito de Sódio a 2,5 % (Cloro ), que é distribuído nos centros de saúde, ou que pode ser comprado no comércio.












13. Bibliografia consultada e para saber mais da doença


CNPC/MS. Cólera - Manual de Diagnóstico Laboratorial, Brasília, 1992.

CVE/SES-SP. Manual de Vigilância Epidemiológica - Cólera - Normas e Instruções, São Paulo, 1992.

CVE/SES-SP. Sistema de Vigilância Epidemiológica da Cólera - Relatório Definitivo, 1996-1997, São Paulo, 1998.

FNS/MS. Manual Integrado de Prevenção e Controle da Cólera. Brasília, 1994

FNS/MS. Guia de Vigilância Epidemiológica. CENEPI/FNS/MS, Brasília, 1998 - http://www.fns.gov.br

OPAS/OMS. El control de las Enfermidades Transmisibles en el hombre. Editor Benenson, A. S., 15 º Edição, Washington D.C., EUA, 1992.

US FDA/CFSAN. Vibrio cholerae. Bad Bug Book. http://www.fda.gov (procurar em Food e em seguida em Bad Bug Book).







Equipe Técnica


Maria Bernadete de Paula Eduardo - CVE/SES-SP (Coordenação e Redação geral)

Maria Lúcia Rocha de Mello - CVE/SES-SP

Elizabeth Marie Katsuya - CVE/SES-SP

Neus Pascuet - IAL/SES-SP

Tânia Mara Ibelli Vaz - IAL/SES-SP

Célia Elisa Guarnieri - IIER/SES-SP

Kinue Irino- IAL/SES-SP

Bactréias patogênicas: Streptococcus spp./Estreptococcias

STREPTOCOCCUS SPP./ESTREPTOCOCCIAS


1. Descrição da doença - muitas variedades de estreptococos e grupos são causa de doença humana e dependendo das características do agente etiológico e do grupo, a enfermidade recebe denominações distintas. Dentre as mais comuns, destacam-se as infecções causadas por estreptococos do Grupo A e D. Estreptococos do Grupo A causam a "faringite estreptocócica", uma das infecções mais freqüentes em crianças na idade escolar e a "escarlatina" - habitualmente uma faringite acompanhada de erupções cutâneas típicas, além de outras infecções supurativas e septicêmicas. Sintomas como dor e irritação na garganta, dificuldade para engolir, febre alta, amigdalite, dor de cabeça, náusea, vômito, e mal-estar são comuns e ocasionalmente podem ocorrer erupções cutâneas. Já os estreptococos do Grupo D produzem uma síndrome clínica similar à intoxicação por Staphylococcus com diarréia, cólica abdominal, náusea, vômito, febre, calafrio e vertigem. A dose infectiva, através da ingestão de um alimento contaminado é provavelmente alta - maior que 107 organismos. A doença diarréica é aguda e auto-limitada. Outros grupos de estreptococos podem causar também surtos por infecções estreptocócicas através dos alimentos. As complicações são raras e a taxa de letalidade é baixa.



2. Agente etiológico - Streptococcus sp. Grupo A - uma espécie com 40 tipos antigênicos - S. pyogenes; Grupo D: cinco espécies - S. faecalis, S. faecium, S. durans, S. avium e S. bovis.



3. Ocorrência - as infecções pelo Grupo D são variáveis. No Brasil não há dados estatísticos sobre a freqüência da doença diarréica por estreptococos. É provavelmente subdiagnosticada e subnotificada. Infecções pelo Grupo A são mais comuns em crianças.



4. Reservatório - seres humanos.



5. Período de incubação - de 2 a 36 horas após a ingestão de alimentos contaminados por estreptococos do Grupo D. De 1 a 3 dias quando os estreptococos são do Grupo A.



6. Modo de transmissão - alimentos preparados sob precárias condições sanitárias ou por manipuladores doentes. Alimentos como leite não pasteurizado, sorvetes, ovos, lagosta, presunto, saladas de batata, pudins e pratos preparados com antecedência e deixados à temperatura ambiente por muitas horas podem transmitir tanto a bactéria do Grupo A quanto do Grupo D. Surtos de faringite eram comuns antes do advento do leite pasteurizado.



7. Susceptibilidade e resistência - todos os indivíduos são susceptíveis, independente da idade e raça.



8. Conduta médica e diagnóstico - cultura de fezes, sangue e alimento suspeito confirmam o diagnóstico para os estreptococos do Grupo D. Swab nasal e de orofaringe, de secreções purulentas, sangue, amostras de alimento e meio ambiente podem ser necessários para os estreptococos do Grupo A.



9. Tratamento - o tratamento é feito com antibióticos principalmente para as doenças causadas pelo Grupo A.



10. Alimentos incriminados - leite não pasteurizado, saladas e outros alimentos preparados por pessoas doentes. O alimento deve ser examinado por técnicas de enumeração seletiva e o resultado pode levar até 7 dias. A determinação dos grupos específicos é feita por teste de Lancefield - antisoro de grupo específico.



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas (interdição de produtos sem pasteurização, medidas educativas entre outras). Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – orientações para o afastamento de manipuladores doentes e outras medidas educativas quanto ao preparo de alimentos; não ingerir leite e derivados não pasteurizados. 3) medidas em epidemias – investigação do surto e detecção das fontes de transmissão.

12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 438-446.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Streptococcus spp. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap21.html





Texto organizado pela Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, abril de 2003.

Bactérias patogênicas: Staphylococcus aureus - Intoxicação Alimenrtar

STAPHYLOCOCCUS AUREUS/INTOXICAÇÃO ALIMENTAR


1. Descrição da doença - intoxicação alimentar estafilocócica e não infecção ou estafiloenterotoxemia é o nome como a doença é conhecida. Geralmente de início abrupto e violento, com náusea, vômitos e cólicas, prostração, pressão baixa e temperatura subnormal. Alterações na freqüência cardíaca podem também ser observadas. A recuperação ocorre em torno de dois dias, porém, alguns casos podem levar mais tempo ou exigir hospitalização. A morte é rara; contudo, pode ocorrer em crianças, idosos e indivíduos debilitados. O diagnóstico é fácil, especialmente quando há um grupo de casos, com predominância de sintomas gastrointestinais superiores e com intervalo curto entre o início dos sintomas e ingestão de um alimento comum.



2. Agente etiológico - Staphylococcus aureus é uma bactéria esférica (coccus) que aparece aos pares no exame microscópico, em cadeias curtas ou em cachos similares aos da uva ou em grupos. É um gram positivo, sendo que algumas cepas produzem uma toxina protéica altamente termo-estável que causa a doença em humanos. A toxina é produto da multiplicação da bactéria nos alimentos deixados em temperaturas inadequadas.



3. Ocorrência - a real freqüência da intoxicação estafilocócica é desconhecida, seja por erro diagnóstico, por ser similar a outras intoxicações (Bacillus cereus - toxina do vômito); por coleta inadequada de amostras para testes laboratoriais, exames laboratoriais impróprios ou investigações epidemiológicas inadequadas dos surtos. No estado de São Paulo foram notificados 25 surtos por S. aureus, envolvendo quase 200 pessoas, nos anos de 2001 e 2002.



4. Reservatório - seres humanos na maioria das vezes; a transmissão ocorre devido a ferimentos nas mãos ou outras lesões purulentas ou secreções que contaminam os alimentos durante sua manipulação. Cerca de 25% das pessoas são portadores nasais. Úberes infectados de vaca, pássaros e cachorros também podem transmitir a bactéria.



5. Período de incubação - de 30 minutos a 8 horas; em média 2 a 4 horas.



6. Modo de transmissão - ingestão de um produto/alimento contendo a enterotoxina estafilocócica. Alimentos manipulados por pessoas portadoras do patógeno em secreções nasofaríngeas ou com ferimentos nas mãos, abcessos ou acnes; ou produtos de origem animal contaminados, que não foram cozidos ou refrigerados adequadamente, permanecendo em temperatura ambiente por determinado tempo que permita a multiplicação do organismo e a produção da enterotoxina termo-estável. Superfícies e equipamentos contaminados podem ser também a causa de intoxicações.



7. Susceptibilidade e resistência - a maioria das pessoas é susceptível. Entretanto, a intensidade dos sintomas pode variar.



8. Conduta médica e diagnóstico - o diagnóstico deve ser feito com base em levantamento do quadro clínico e história de ingestão de alimentos suspeitos, entrevistando-se vítimas e comensais. Alimentos incriminados na investigação epidemiológica devem ser coletados e examinados para staphylococci. A presença de um grande número de enterotoxina estafilocócica é uma boa evidência de que o alimento contém toxina. Resultados positivos em doentes e no alimento confirmam o diagnóstico. Um número de métodos sorológicos para determinar a enterotoxigenicidade do S. aureus isolado de alimentos, bem como, métodos para separação e detecção de toxinas em alimentos têm sido desenvolvidos e utilizados para melhorar o diagnóstico da doença. Fagotipagem pode ser útil quando um staphylococci viável pode ser isolado de um alimento incriminado, de vítimas e de portadores suspeitos tais como manipuladores de alimentos. O isolamento de organismos de um mesmo fagotipo de fezes ou vômito de duas ou mais pessoas confirmam o diagnóstico. A recuperação de um largo número de staphilococci produtor de enterotoxina, de fezes ou vômitos de uma pessoa, também confirma o diagnóstico.



9. Tratamento - reposição hidroeletrolítica se necessário.



10. Alimentos incriminados - carnes e produtos cárneos; aves e ovos; saladas com ovos, atum, galinha, batata, macarrão; patês, molhos, tortas de cremes, bombas de chocolate e outros; sanduíches com recheios; produtos lácteos e derivados. São de alto risco os alimentos que requerem considerável manipulação para seu preparo e que permanecem em temperatura ambiente elevada e por muito tempo após sua preparação. Staphylococcus existem no ar, na poeira, em esgotos, água, leite, em superfícies e equipamentos, em humanos e animais. A intoxicação humana é provocada pela ingestão de enterotoxinas produzidas por algumas cepas de S. aureus, comumente porque o alimento permaneceu em temperatura quente inadequada, isto é, abaixo de 60 ° C (140 º F) ou em temperatura fria, porém, acima de 7,2 º C (45 º F).



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas (interdição de produtos contaminados, verificação de práticas inadequadas nas cozinhas e da presença de portadores, manipuladores com ferimentos, medidas educativas, entre outras). Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – educação dos manipuladores de alimentos e conscientização sobre o risco da produção de alimentos em larga escala e dos fatores críticos que desencadeiam a produção da enterotoxina; orientações para rigorosa higiene e limpeza das cozinhas; controle de temperatura; limpeza das mãos e unhas; conscientização sobre o perigo de infecções em pele, nariz e olhos, etc.. 3) medidas em epidemias – investigação de surtos e determinação dos alimentos implicados e fatores contribuintes para o surto. Intervenção e mudança de práticas inadequadas de preparo de alimentos.





12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 184-187.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Sstaphylococcus aureus. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap3.html



Texto organizado por na Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, março de 2003.

Bactérias patogênicas: Shigella spp. / Sigueloses

SHIGELLA SPP./SIGUELOSES



1. Descrição da doença - doença bacteriana aguda que envolve o intestino delgado, conhecida como disenteria bacilar. Caracteriza-se por dor abdominal e cólicas, diarréia com sangue, pus ou muco; febre, vômitos e tenesmo. Em alguns casos a diarréia pode ser líquida. Geralmente, trata-se de infecção auto-limitada, durando de 4 a 7 dias. Em crianças jovens, convulsão pode ser uma complicação grave. As infecções graves estão associadas a uma ulceração da mucosa, com sangramento retal e dramática desidratação. Algumas cepas são responsáveis por uma taxa de letalidade de 10 a 15% e produzem uma enterotoxina tipo Shiga (semelhante à verotoxina da E. coli O157:H7), podendo causar a síndrome hemolítico-urêmica (SHU), a Doença de Reiter e artrite reativa. A dose infectiva é cerca de 10 células dependendo das condições de saúde do hospedeiro e idade.



2. Agente etiológico - Shigella spp.: Shigella sonnei, Shigella boydii, Shigella flexneri e Shigella dysenteriae. É um gram-negativo, tipo bacilo, não mótil, e não formador de esporos.



3. Ocorrência - distribuição mundial. Estima-se que shiguelose é responsável por cerca de 600.000 mortes no mundo; cerca de dois terços dos casos e a maioria de mortes ocorre em crianças menores de 10 anos de idade. Ocorre em locais com precárias condições de higiene e problemas de saneamento básico; é endêmica em países em desenvolvimento e de clima tropical, especialmente, as espécies S. sonnei e S. dysenteriae. No estado de São Paulo, 2 a 5% dos surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos/Água notificados ao CVE são por Shigella envolvendo em média, 300 pessoas por ano.



4. Reservatório - o principal reservatório são os seres humanos. Raramente ocorre em animais, tendo sido descritos surtos prolongados em primatas tais como macacos e chimpanzés.

5. Período de incubação - de 12 a 50 horas, em média de 1a 3 dias, e cerca de 1 semana para a S. dysenteriae 1.



6. Modo de transmissão - via fecal-oral. Portadores do patógeno podem transmitir a infecção devido às mãos mal lavadas, unhas sujas de matéria fecal após defecação, contaminando alimentos e objetos que podem favorecer a disseminação da infecção. Água e leite podem ser contaminados por fezes provocando a infecção. Moscas carregam o patógeno para os alimentos a partir de latrinas e de disposição inadequada de fezes e esgotos. Alimentos expostos e não refrigerados constituem um meio para sua sobrevivência e multiplicação. Ambientes fechados como creches, hospitais e similares são propícios para a disseminação da doença.



7. Susceptibilidade e resistência - geral. Mais grave em crianças e em idosos debilitados e desnutridos e em pacientes com AIDS. O aleitamento materno protege as crianças.



8. Conduta médica e diagnóstico - a bactéria pode ser identificada através de cultura de fezes.



9. Tratamento - o tratamento consiste de hidratação oral ou venosa. Antibióticos podem ser utilizados dependendo da gravidade da doença.



10. Alimentos associados - todo o tipo de alimento, principalmente, muito manipulado por mãos mal lavadas de portadores sem higiene. Água contaminada por fezes e manipuladores sem higiene são a causa mais comum de contaminação alimentar e surtos por essa bactéria.



11. Medidas de controle - 1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas (detecção de práticas inadequadas na cozinha e de falta de higiene pessoal/lavagem das mãos; verificação de contaminação fecal de água e outros alimentos; medidas educativas, entre outras). Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466. 2) medidas preventivas – educação sanitária; saneamento básico; higiene rigorosa pessoal para os manipuladores de alimentos, com ênfase na lavagem das mãos e procedimentos rigorosos de limpeza em ambientes/instituições fechadas. 3) medidas em epidemias – investigação do surto e detecção da fonte de transmissão. Orientações básicas sobre higiene pessoal e medidas sanitárias gerais.





12. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença



1. AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION. Control of Communicable Diseases Manual. Abram S. Benenson, Ed., 16 th Edition, 1995, p. 421-425.

2. FDA/CFSAN (2003). Bad Bug Book. Shigella spp. URL: http://www.cfsan.fda.gov/~mow/chap19.html





Texto organizado por na Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, março 2003.

Bactérias patogênicas: Salmonella typhi/Febre Tifóide

Salmonella typhi/Febre Tifóide

1. Descrição da doença - a febre tifóide é uma doença bacteriana aguda, de gravidade variável que se caracteriza por febre, mal-estar, cefaléia, náusea, vômito e dor abdominal, podendo ser acompanhada de erupção cutânea. É uma doença endêmica em muitos países em desenvolvimento, particularmente, no Subcontinente Indiano, na América do Sul e Central, e África, com uma incidência (por 100.000 habitantes por ano) de 150 na América do Sul e 900 na Ásia. A doença pode ser fatal se não tratada e mata cerca de 10% de todas as pessoas infectadas.

2. Agente etiológico - é causada pela Salmonella Typhi, subespécie enterica sorotipo Typhi (S. Typhi), que é um patógeno especificamente humano. É uma bactéria com morfologia de bacilo Gram negativo, móvel, pertencente à família Enterobacteriaceae. Possui alta infectividade, baixa patogenicidade e alta virulência, o que explica a existência de portadores (fontes de infecção não doentes) que desempenham importante papel na manutenção e disseminação da doença na população. Distingue-se das outras salmonelas por sua estrutura antigênica, possuindo três tipos de antígenos de interesse para o diagnóstico:


antígeno O: somático, presente em todas as espécies de salmonela, de natureza glicidolipídica, identificando-se com a endotoxina O, é termoestável e essencial à virulência. Para a S.Typhi o antígeno somático específico de grupo é o "O9";

antígeno H: flagelar, de natureza protéica, a composição e ordem dos aminoácidos da flagelina determinam a especificidade flagelar. No caso da S. Typhi o antígeno flagelar é o "d". É termolábil.

antígeno Vi: capsular, formado por um complexo glicidoproteíco. É termolábil. A S.Typhi pode ou não possuir o antígeno Vi e este pode também ser encontrado na S. Paratyphi e na S. Dublin.
Cada um destes antígenos determina a formação de anticorpos aglutinadores específicos: anti-O , anti-H e anti-Vi.

A S. Typhi é bastante resistente ao frio e ao congelamento, resistindo também ao calor de 60 ° C por uma hora. É pouco resistente à luz solar. Conserva sua vitalidade em meio úmido e sombrio e na água. É bastante sensível ao hipoclorito, motivo pelo qual a cloração da água é suficiente para sua eliminação.

3. Modo de transmissão - A via de transmissão é a fecal-oral. Se transmite, na maioria das vezes, através de comida contaminada por portadores, durante o processo de preparação e manipulação dos alimentos. A água também pode ser um veículo de transmissão, podendo ser contaminada no próprio manancial (rio, lago ou poço) ou por ser tratada inadequadamente ou ainda por contaminação na rede de distribuição ( quebra de encanamento, pressão negativa na rede, conexão cruzada). Entre doentes curados, o número de portadores temporários é de 5 a 10%, e os de portadores crônicos, de 2 a 3%. O período de transmissibilidade dura enquanto existirem bacilos sendo eliminados nas fezes ou na urina, o que geralmente acontece desde a primeira semana de doença até a convalescença. Cerca de 10% dos doentes eliminam bacilos até 3 meses após o início do quadro clínico e 1 a 5% até 1 ano e provavelmente por toda a vida, são os portadores crônicos. A ocorrência de patologia da vesícula biliar aumenta a probabilidade de eliminação crônica da S. Typhi, sendo mais comum em mulheres acima dos cinqüenta anos.

4. Período de incubação - em geral é de 1 a 3 semanas, em média 2, podendo ser curto como três dias e longo até 56 dias em função da dose infectante e da facilidade de proliferação do agente em determinados alimentos. Em alguns alimentos contaminados pode ocorrer multiplicação da S. Typhi, o que explicaria, nestes casos, períodos de incubação relativamente menores.

5. Conduta médica e diagnóstico - A. a anamnese deve investigar a história e período de ingestão de alimentos, e verificar os sinais e sintomas clínicos. Após o período de incubação surge de forma gradual a febre, dor de cabeça, mal estar geral, dor abdominal e falta de apetite. Durante 1 a 2 semanas a febre se mantém alta (39 a 40 º C) e cerca de 10% dos casos apresentam manchas avermelhadas no tronco (roséola tífica). Nesta fase da doença a obstipação intestinal é mais freqüente do que a diarréia, porém à medida que aumenta o comprometimento intestinal pode surgir diarréia com sangue. B. os exames laboratoriais se baseiam fundamentalmente no isolamento do agente etiológico no sangue, na primeira semana de doença ou nas fezes, a partir da segunda semana. Também, as provas sorológicas, como a reação de Widal, podem se úteis no diagnóstico, havendo, no entanto, necessidade de se colher duas amostras, uma na fase inicial da doença e outra após duas semanas. O uso indiscriminado de antibióticos pode interferir tanto no resultado das culturas como também nas provas sorológicas. C. o diagnóstico diferencial não é fácil, devido aos sintomas inespecíficos, especialmente na fase inicial. As hipóteses diagnósticas para esses casos são inúmeras, devendo o médico pensar em febre tifóide, quando diante de quadros de febre de início insidioso e persistente e sem sinais de localização. As principais patologias que entram no diagnóstico diferencial são: febre paratifóide A e B; septicemia de outras etiologias; toxoplasmose; leptospirose septicêmica; esquistossomose aguda ou toxêmica; riquetsioses (tifo); meningites; tuberculose miliar, malária, brucelose, linfomas e outras. Dados epidemiológicos do paciente podem auxiliar no diagnóstico.

6. Tratamento – a droga de primeira escolha é cloranfenicol. Colicistectomia freqüentemente soluciona o problema de portador permanente (mais detalhes ver Manual de Febre Tifóide). As manifestações gerais devem ser avaliadas e tratadas, se necessário. Medicamentos obstipantes ou laxantes não devem ser usados. É fundamental o acompanhamento da curva térmica do paciente para orientar a duração da antibióticoterapia. Recomenda-se repouso e dieta conforme a aceitação do paciente, devendo-se evitar alimento hipercalóricos ou hiperlipídicos.

7. Complicações - várias complicações podem surgir, particularmente na doença não tratada. Três a 20% dos casos podem apresentar recaída que parece estar associada à antibióticoterapia inadequada. Outras complicações relativamente freqüentes são a enterorragia e a perfuração intestinal. Como em qualquer doença que evolui com septicemia, na febre tifóide podem surgir complicações em qualquer órgão. A letalidade atual da doença em países desenvolvidos é menor que 1%, no entanto, algumas regiões continuam apresentando índices tão altos quanto 10%, relacionada à demora no diagnóstico e instituição do tratamento adequado.

8. Distribuição e freqüência relativa da doença - a febre tifóide foi praticamente eliminada em países que alcançaram altos índices de saneamento ambiental. No Brasil, persiste de forma endêmica em algumas regiões, refletindo as condições de vida desses lugares. No estado de São Paulo, o coeficiente de incidência caiu vertiginosamente a partir da segunda metade da década de 70, quando atingia níveis em torno de 3 a 4 casos por 100.000 habitantes. Na última década este índice tem se mantido sempre a baixo de 0,1. É de grande importância em nosso estado a ocorrência de casos "importados" de outras regiões do país relacionados, principalmente, a atividades profissionais, tendo os motoristas de caminhão se mostrado grupo de risco especial para a doença.

9. Conduta epidemiológica - 1) notificação do caso: todo caso suspeito ou surto deve ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica Municipal, Regional ou Central para que sejam desencadeadas as medidas as de controle bem como as necessárias à identificação do agente etiológico. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo mantém uma Central de Vigilância, funcionando ininterruptamente que além de receber notificações pode orientar quanto a medidas a serem adotadas, através do telefone 0800-55-54-66; 2) cuidados com o doente - o doente deve ser mantido em condições tais que garantam o isolamento entérico até o final do tratamento e pesquisar-se a condição de portador no final deste. Para tanto, deve-se realizar 3 coproculturas em dias consecutivos, 30 dias após o início dos sintomas e pelo menos 7 dias após a suspensão do uso do antibiótico ; 3) vacinação de grupos de risco - a vacinação de rotina contra a febre tifóide é indicada apenas a grupos populacionais de risco elevado para a doença em função de suas atividades profissionais ou a indivíduos que por motivo de viagem ingressem em áreas de alta endemicidade. No estado de São Paulo, a vacina contra a febre tifóide vem sendo usada sistematicamente em trabalhadores de companhias de saneamento que entram em contato com esgoto. Não existe indicação de vacinação na ocorrência de catástrofes ou calamidades públicas como enchentes ou terremotos. 4) cuidados com os comunicantes do caso - os comunicantes devem ser mantidos sob vigilância avaliando-se o surgimento de manifestações clínicas durante o período de incubação da doença (até 3 semanas da possível contaminação).

10. Conduta sanitária e educativa - 1) inspeção sanitária em estabelecimentos fechados, como escolas, presídios, asilos, etc., e restaurantes ou cozinhas, bares, hotéis, etc., quando os surtos tiverem essa fonte comum. A coleta de alimentos é importante para identificação da fonte de infecção; 2) medidas de educação sobre higiene pessoal, controle de portadores, eliminação de portadores da manipulação de alimentos, resfriamento rápido de alimentos em porções pequenas. Intenso cozimento de alimentos, leite pasteurizado; 3) medidas de saneamento básico como água tratada e protegida, destino adequado dos esgotos e resíduos sólidos, controle de moscas.

11. Conduta laboratorial - os procedimentos de investigação laboratorial para diagnóstico da doença:

A. Para caso suspeito de febre tifóide:

Deve ser coletada mais de uma amostra de fezes, entre a 2a e 4a semanas da doença, com intervalo semanal, aumentando a possibilidade de positividade do exame.

- Isolamento e diagnóstico do agente patógeno:

Þ Hemocultura - é o principal exame para o diagnóstico da febre tifóide.

Em adulto não tratado, as porcentagens de positividade da hemocultura são:

90% durante a 1a semana,

75% durante a 2 a semana,

40% durante a 3 a semana e

10% durante a 4 a semana.

Coleta do sangue e encaminhamento do material:

A anti-sepsia da pele deve ser rigorosa.


As coletas serão efetuadas, de preferência, no momento em que a curva térmica apresenta ascensão e a primeira amostra, se possível, antes da administração de antibióticos.

Coletar 3 amostras, com intervalo de 30 minutos entre cada uma, sendo a quantidade de sangue de 10 a 20 ml para o adulto e 3 a 5 ml para a criança.
Semeadura


Meio líquido nutritivo: inocula-se numa proporção de 10% de sangue total para volume do meio.

Caldo biliado: adicionar ao volume do meio, o coágulo decorrente da coleta de 3 a 5 ml de sangue. O soro será aproveitado para a Reação de Widal.
Os frascos semeados são mantidos em estufa, 35 a 37oC, até o momento de encaminhá-los ao laboratório, devidamente lacrados e identificados, devendo chegar ao laboratório em até 24 horas após a coleta.

Þ Coprocultura

Coleta, conservação e transporte de amostras

a) Coleta de swab fecal: a coleta das fezes deverá ser efetuada com swab fecal, utilizando como meio de transporte o Cary-Blair. Procedimentos:


Recomenda-se que colete as fezes em frascos de boca larga e limpos (de preferência esterilizados em forno Pasteur ou fervidos). Não utilize substâncias químicas na desinfecção destes frascos;

Coloque o swab no frasco contendo as fezes e, realizando movimentos circulares, embeba-o com a matéria fecal;

Coloque o swab em tubos contendo o meio de transporte Cary-Blair;

O transporte será realizado à temperatura ambiente e recomenda-se que o material coletado seja encaminhado ao laboratório dentro de 24 a 72 horas após a coleta.
b) Coleta das amostras de fezes "in natura"


Colete as fezes (3 a 5 g) em frascos de boca larga e limpos (como descrito acima);

Identifique as amostras e encaminhe-as ao laboratório dentro de 2 horas, após a coleta, se mantidas à temperatura ambiente, ou até 5 horas, se mantidas sob refrigeração.
- Método Indireto: Sorodiagnóstico

Þ Reação de Widal: Consiste na pesquisa qualitativa e quantitativa de anticorpos específicos (os anticorpos O e H) no soro dos pacientes, através de testes de aglutinação de suspensões antigênicas preparadas com S. Typhi. Os resultados são expressos pela diluição máxima do soro capaz de promover aglutinação.

Coleta do sangue para a reação de Widal: coletar 5 ml de sangue usando os mesmos procedimentos de coleta da hemocultura. O soro deverá ser encaminhado ao laboratório, o mais breve possível, à temperatura de 4oC, no período máximo de 48 horas.

As coletas de sangue deverão ser realizadas no mínimo 2 vezes, na fase inicial e outra 4a semana da doença, para que se possa avaliar ascensão de anticorpos.

Os resultados do sorodiagnóstico devem ser interpretados em função da curva das aglutininas, pois:


classicamente no curso da febre tifóide, os anticorpos O aparecem perto do 8o dia, atingindo um título médio de 1/400 e desaparecendo rapidamente após a cura clínica;

os anticorpos H aparecem um pouco mais tarde, em torno do 10-12o dia, atingindo rapidamente um título mais elevado, de 1/800 a 1/1600; esse título cai nas semanas que seguem à cura clínica, mas se mantém em título baixo, de 1/100 a 1/200, durante meses e até anos após a cura.
Os resultados do sorodiagnóstico devem ser interpretados com cuidado e podem apenas orientar o diagnóstico etiológico. É preciso também observar que:


as respostas em anticorpos variam de um indivíduo a outro;

as respostas sorológicas não são sempre típicas;

a terapêutica pode interferir sobre a produção de anticorpos; e,

a produção de anticorpos é freqüentemente fraca se a infecção é transitória e localizada no tubo digestivo.
Como em toda reação sorológica, a curva do título das aglutininas de dois exames sucessivos tem muito mais valor do que um resultado isolado. Ela permite concluir que o paciente "produz anticorpos contra um agente infeccioso possuindo antígenos idênticos ou semelhantes àqueles que foram utilizados para preparar as suspensões antigênicas".

B. Para detecção de portador de S. Typhi:

A coprocultura é o único método que permite detectar o estado de portador.


Doente tratado e clinicamente curado que não manipula alimentos: coletar, no mínimo, 3 amostras de fezes com intervalo não inferior a 24 horas entre as mesmas, 30 dias após o início dos sintomas e no mínimo 7, após o término da antibioticoterapia.

Doente tratado e curado, manipulador de alimentos: coletar, no mínimo, 7 amostras de fezes em dias seqüenciais, 30 dias após o início dos sintomas e no mínimo 7, após o término da antibioticoterapia.

Pesquisa de portador crônico entre manipuladores de alimentos (responsável pela contaminação de alimentos que infectaram as pessoas que adoeceram): coletar, no mínimo, 7 amostras de fezes em dias seqüenciais.
Quando se constata pelo menos uma coprocultura, positiva orienta-se o tratamento e cuidados de higiene, bem como o afastamento de atividades que ofereçam risco à família e à comunidade, com posterior realização de outra série de coproculturas, conforme descrito acima, a fim de evitar a disseminação das salmonelas.

Todos os laboratórios (privados, municipais ou estaduais, incluindo os da rede do Instituto Adolfo Lutz) que realizam hemocultura e coprocultura, podem isolar e identificar presuntivamente a Salmonella:

a) Isolamento da bactéria: Os meios de cultura utilizados para semeadura da amostra biológica recebida, dependem da padronização de cada laboratório.

Basicamente são empregados:


Meio líquido de enriquecimento para Salmonella;

Placas de meio diferencial e seletivo.
b) Confirmação do gênero Salmonella:


As colônias suspeitas são repicadas em meio presuntivo para enterobactérias para verificar os caracteres bioquímicos essenciais;

Aglutinação em lâmina com anti-soros polivalentes para Salmonella (somático e flagelar)
c) Caracterização sorológica e bioquímica de Salmonella:

As cepas isoladas devem ser encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz-SP, Divisão de Biologia Médica - Seção de Bacteriologia.

A análise antigênica das cepas é realizada por testes de aglutinação, utilizando anti-soros monovalentes somáticos e flagelares, específicos para Salmonella.

A associação dos antígenos determinados permite a identificação do sorotipo em estudo. Além disso realiza-se a caracterização bioquímica específica para a S. Typhi.

Obs.: O Instituto Adolfo Lutz (SP) e a Fundação Osvaldo Cruz (RJ) são os dois laboratórios, no Brasil, que realizam a caracterização sorológica de cepas de Salmonella sp.

12. Alimentos associados - por tratar-se de doença relacionada à contaminação fecal de alimentos ou da água, não existe um tipo particular de alimento associado à transmissão da febre tifóide; geralmente, são alimentos com alto teor de proteínas, saladas cruas, leite, crustáceos, manipulados e ingeridos sem reaquecimento adequado. Destacam se situações que propiciam esta forma de disseminação:


água contaminada utilizada para irrigação;

utilização de fezes humanas como fertilizante;

manipulação de alimentos por doentes ou portadores com hábitos higiênicos inadequados

presença de insetos em áreas de processamento de alimentos que possam atuar como vetores mecânicos
Especialmente quando se tratar da investigação de um surto de febre tifóide, a investigação deve buscar o apoio do laboratório no sentido de se identificar a fonte de infecção, isto é o portador ou os principais veículos de transmissão. Assim muita atenção deve ser dada na identificação de alimentos que potencialmente estejam envolvidos na disseminação da doença e por conseguinte na identificação dos manipuladores de alimentos a eles relacionados. Como em geral o tempo decorrido entre o consumo e o início do quadro clínico é grande, não se dispõe mais, no momento da investigação, de amostras dos alimentos suspeitos para análise, então é de fundamental importância a pesquisa do estado de portador entre os manipuladores. Para estes preconiza-se a colheita de 7 amostras de fezes em dias consecutivos.

13. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença


Le Minor, L. Salmonella in: Le Minor, L. & Véron, M. Bactériologie médicale. Flammarion Médecine-Sciences, Paris, França, pp.259-274, 1982.

Mandell, Douglas and Bennett’s. Principles and Practice of Infectious Diseases. 4ª edição, Churchill Livingstone Inc., USA, 1995.

OPAS/OMS. El control de las Enfermedades Transmisibles en el hombre. Editor Benenson, A. S., 15 º Edição, Washington D. C., E. U. A. 1992.

Popoff, MY. & Le Minor, L. - Formules antigeniques des serovars de Salmonella. Centre collaborateur OMS de reference et de recherche pour les Salmonella. Paris, França, pp. 152, 1997.

Rowe, B.; Ward, L.R. & Threlfall, E.J. - Multidrug-resistant Salmonella typhi: a worldwide epidemic. Clin. Infect. Dis., 24 (Suppl 1):S106-9, 1997.

Saravía-Gomes, J. ; Focaccia, R. & Lima, V. P de; Febre Tifóide e Paratifóide. In: Veronesi, R. & Focaccia R. Tratado de Infectologia. Ed. Atheneu, Vol. 1, São Paulo, 1996, p. 697-709.

SES-SP. Manual de Vigilância Epidemiológica. Febre Tifóide. Normas e Instruções. CVE, 1992.

Taunay, A.E.; Fernandes, S.A.; Tavechio, A.T.; Neves, B.C.; Dias, A.M.G. & Irino, I. - The role of public health laboratory in the problem of salmonellosis in São Paulo, Brazil. Rev. Inst. Med. trop. São Paulo, 38:119-127, 1996.

US FDA/CFSAN. Salmonella typhi. BAD BUG BOOK. http://www.fda.gov (procurar em Food e em seguida em Bad Bug Book)
Equipe Técnica:

Maria Bernadete de Paula Eduardo - CVE/SES-SP (Coordenação e Redação geral)
Maria Lúcia Rocha de Mello – CVE/SES-SP (Redação e revisão geral)
Ivany Rodrigues de Moraes – CVS/SES-SP
Sueli Aparecida Fernandes – IAL/SES-SP
Célia Elisa Guarnieri - IIER/SES-SP

Bactérias patogênicas: Salmonella Enteritidis/Salmoneloses

Salmonella Enteritidis/Salmoneloses

1. Descrição da doença - é uma toxinfecção alimentar. Genericamente se enquadra no grupo de doenças designadas por Salmoneloses.

A pessoa infectada geralmente tem febre, cólicas abdominais e diarréia. A doença usualmente dura de 4 a 7 dias, e a maioria das pessoas se recupera sem tratamento com antibiótico. Entretanto, a diarréia pode ser severa, e o paciente necessitar ser hospitalizado. Em pacientes idosos, crianças, gestantes e pessoas com sistema imune comprometido a doença pode ser mais grave. Nesses pacientes, a infecção pode se disseminar através da corrente sangüínea para outros sítios e pode causar a morte, se a pessoa não for prontamente tratada com antibiótico.

2. Agente etiológico - é uma bactéria móvel, com morfologia de bacilo Gram negativo. A Salmonella enterica, subespécie enterica, sorotipo Enteritidis (S.Enteritidis) é um enteropatógeno classificado no gênero Salmonella, pertencente à família Enterobacteriaceae. Existem atualmente 2324 sorotipos de Salmonella dos quais 1367 pertencem à subespécie enterica.

Em relação aos caracteres antigênicos, possui antígeno Somático (O) e antígeno Flagelar (H), que são de grande importância para sua identificação sorológica.

É freqüentemente encontrada no trato intestinal de animais, domésticos e selvagens, sendo muito comum em aves.

No Brasil, significativo aumento de S. Enteritidis foi detectado a partir de 1993, tornando-se desde 1994, o sorotipo de Salmonella mais freqüentemente isolado de casos de infecções humanas e também de materiais de origem não humana, principalmente de alimentos destinados ao consumo humano.

3. Modo de transmissão - é transmitida por alimentos contaminados e ingeridos crus ou mal cozidos. Estes alimentos são freqüentemente de origem animal, sendo carne de frangos e principalmente ovos, os mais contaminados por S. Enteritidis. O ovo de galinha esteve implicado na maioria dos surtos ocorridos nos EUA. nas últimas décadas.

O mecanismo de transmissão através do consumo de ovos intactos, que portanto só poderiam ter sido infectados antes da postura, só recentemente tornou-se mais claro, permitindo melhor compreensão do problema. A matéria fecal eliminada pelas aves, contendo a bactéria, pode contaminar os ovos externamente. Porém, também foi constatado que a S. Enteritidis infecta os ovários de galinhas com aparência saudável, contaminando os ovos antes das cascas serem formadas (transmissão transovariana). Quando os ovos são ingeridos, insuficientemente cozidos ou crus (ex. maionese caseira) podem transmitir a infecção, ocasionando casos isolados ou surtos epidêmicos.

4. Período de incubação - os sintomas iniciais da doença surgem 12 a 36 horas após a ingestão de alimento contaminado. Entretanto, as primeiras manifestações podem ser relativas às complicações crônicas da doença, como por exemplo, o surgimento de artrite duas semanas após a ingestão de leite contaminado, em 2% dos pacientes em um surto em Chicago, em 1985.

5. Conduta médica e diagnóstico da doença – usualmente os sintomas da infecção pela S. Enteritidis são diarréia, vômitos, dor abdominal, cólicas, febre e dor de cabeça. Em geral é auto limitada, durando 4 a 7 dias. A bactéria pode invadir outros órgãos, causando complicações que requeiram internação, mesmo em indivíduos previamente hígidos.

A. na anamnese, levantar os tipos de alimentos ingeridos, a existência de outros casos e as fontes comuns de ingestão.

B. o exame laboratorial é fundamental para o diagnóstico. É feito a partir do isolamento e identificação do agente etiológico em material clínico do paciente (coprocultura, hemocultura) e dos alimentos suspeitos de terem veiculado a infecção.

C. diagnóstico diferencial – em sua forma usual, a enterocolite, o diagnóstico diferencial deve ser feito com outros agentes etiológicos que também causam o quadro. Outros diagnósticos poderão ser arrolados dependendo do órgão acometido.

6. Tratamento – a gastroenterite, em geral, é um quadro autolimitado, não devendo ser tratada com antimicrobianos, uma vez que estes não diminuem o curso da doença, não evitam a bacteremia, não erradicam a infecção do trato gastrointestinal, favorecem o prolongamento do estado de portador e levam à aquisição de resistência bacteriana. O tratamento deve ser de suporte, com reidratação e reposição de eletrólitos, sempre que possível por via oral.

A utilização de antimicrobianos deve se limitar aos casos que apresentem sinais de complicação como, focos extra- intestinais, septicemia ou aos pacientes que tenham algum fator de risco adicional, como imunodeficientes ou idosos.

7. Complicações - em crianças menores de um ano e especialmente recém-nascidos, idosos ou portadores de certas patologias a doença pode evoluir de forma diferente e ser bastante grave, dependendo dos órgãos atingidos. As principais complicações são artrite, cistite, meningite, endocardite, pericardite e pneumonia.

As principais patologias de base que modificam seu curso são a esquistossomose, a malária, a anemia falciforme e a verruga peruana. Gestantes também merecem atenção especial por causa do risco para o feto.

8. Distribuição e freqüência relativa da doença – estudo realizado pelo I.A.L. analisando 5490 cepas de Salmonella isoladas de 1991 a 1995, de infecções humanas (2254 cepas) e de materiais de origem não humana (3236 cepas) evidenciou aumento significativo na participação da S. Enteritidis. Assim em 1991 este sorotipo correspondeu a 1,2% das cepas de Salmonella isoladas, 2% em 1992, 10,1% em 1993, 43,3% em 94 e 64,9% em 95. Este aumento verificado a partir de 1993 esteve associado à ocorrência de surtos de diarréia veiculados por alimentos.

9. Conduta epidemiológica – 9.1) notificação do caso – todo caso suspeito ou surto de doença veiculada por alimento deve ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica Municipal, Regional ou Central para que sejam desencadeadas as medidas as de controle bem como as necessárias à identificação do agente etiológico. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo mantém uma Central de Vigilância, funcionando ininterruptamente que além de receber notificações pode orientar quanto a medidas a serem adotadas, através do telefone 0800-55-54-66 ; 9.2) investigação epidemiológica – visa dimensionar o problema, identificar possíveis fontes de disseminação dos patógenos, diagnosticar e tratar precocemente novos casos, identificar os agentes etiológicos envolvidos e evitar a disseminação da doença. 9.3) vigilância e acompanhamento – os casos suspeitos envolvidos devem ser acompanhados e mantidos sob vigilância até seu pleno restabelecimento, envidando-se esforços para que sejam obtidos materiais clínicos e de alimentos relacionados para a completa identificação do agente etiológico. Raramente os doentes evoluem para o estado de portadores crônicos da S. Enteritides por isso não se preconiza pesquisar esta condição após a convalescença. 9.4) preenchimento de formulários- o adequado preenchimento dos formulários padronizados permite a sistematização na coleta de dados facilitando a análise dos resultados e orientando a adoção das medidas de controle adequadas.

10. Conduta sanitária - Frente à suspeita de um surto de enfermidade transmitida por alimento, imediatamente devem ser tomadas as providências para a investigação, elucidação diagnóstica e prevenção de novos casos. A investigação deve abranger os comensais, os manipuladores de alimentos e o local de produção, elaboração e consumo de alimento, incluindo a colheita de amostras biológicas humanas, bem como dos alimentos. É muito importante a realização de inquéritos e o preenchimento dos formulários de DTA, estabelecidos pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica e Sanitária, para que seja possível estimar o risco atribuído a cada um dos alimentos envolvidos.

A inspeção no local de preparo e manipulação deve ser minuciosa, utilizando-se a Ficha de Inspeção de Estabelecimentos na Área de Alimentos, incluindo-se a verificação do fluxo de preparo dos alimentos, desde as matérias primas até o consumo, através da metodologia de Análise de Perigos e Controle de Pontos Críticos de Controle (HACCP), buscando-se identificar os fatores que ocasionaram a ocorrência para uma intervenção imediata e adequada. Se a investigação fizer suspeitar da veiculação através de alimento preparado à base de ovos, deverá ser verificada a origem e as condições de utilização dos mesmos.

O fluxo de informações previsto no Sistema DTA deve ser observado para que as providências sejam tomadas em todos os âmbitos de competências.

a) da coleta das amostras de alimentos

As amostras de produtos alimentícios colhidas pela Vigilância Sanitária deverão ser encaminhadas aos laboratórios Central ou regionais do I.A.L. Os laboratórios privados, municipais e estaduais que analisam produtos alimentícios podem isolar e identificar presuntivamente Salmonella .

Os resultados obtidos pela análise de alimentos, com a caracterização presuntiva e a determinação quantitativa de Salmonella deverão ser enviados à Vigilância Sanitária que efetuou a coleta dos produtos alimentícios.

As cepas caracterizadas como Salmonella pela utilização de anti – soros polivalentes isoladas de produtos alimentícios deverão ser encaminhadas para a realização da sorotipagem ao I.A.L. Central, acompanhadas de ficha com todos os dados pertinentes. Os resultados da caracterização do sorotipo, serão remetidos ao Laboratório Regional que encaminhou a cepa que o repassará à respectiva Vigilância Sanitária.

Cabe ressaltar a importância da integração das Vigilâncias na investigação de doenças veiculadas por alimentos. Assim, se amostras de alimentos suspeitos de envolvimento em surtos forem apresentadas por particulares ao I.A.L. ou forem provenientes de laboratórios particulares a Vigilância Sanitária e Epidemiológica devem ser comunicadas para que complementem a investigação.

11. Conduta laboratorial – coprocultura dos casos suspeitos e análise do alimento para isolamento do patógeno implicado.

11.1. nos casos suspeitos – amostras de fezes, sangue ou, eventualmente, de outro material orgânico deverão ser encaminhadas para cultura. Todos os laboratórios que realizam coprocultura podem isolar e identificar presuntivamente a Salmonella. Todas as cepas isoladas e caracterizadas como Salmonella sp, através da utilização dos anti-soros polivalentes, deverão ser encaminhadas, acompanhadas dos dados clínicos do paciente ao Laboratório Regional do I.A.L. que as encaminhará ao Laboratório Central para sorotipagem. O I.A.L. Central, em S. Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, são os dois únicos laboratório de referência, no Brasil, para a caracterização sorológica das cepas de Salmonella sp, sendo por isso fundamental seu encaminhamento para confirmação laboratorial e caracterização do sorotipo.

Procedimentos para Coprocultura:

Coleta, conservação e transporte de amostras - as fezes deverão ser coletadas, se possível, antes do paciente ser submetido à antibioticoterapia.

a) Coleta de swab fecal:

· Colete as fezes em frascos de boca larga e limpos (de preferência esterilizados pelo calor. Não utilize substâncias químicas na desinfecção destes frascos);

· Coloque o swab no frasco contendo as fezes e, realizando movimentos circulares, embeba o com a matéria fecal;

· Após, coloque o swab no tubo contendo o meio de transporte e conservação Cary-Blair;

· O material coletado deverá ser devidamente identificado e mantido à temperatura ambiente até chegar no laboratório;

· Recomenda-se que o material coletado seja encaminhado ao laboratório, o mais rápido possível, devendo ser processado dentro das primeiras 72 horas após a coleta;

· As amostras deverão ser encaminhadas ao laboratório, acompanhadas de fichas contendo os dados de identificação do paciente.

b) Coleta das amostras "in natura"

· Colete as fezes (2-3 ml ou 3-5 g se forem sólidas) em frascos de boca larga e limpos (de preferência esterilizados pelo calor. Não use substâncias químicas na desinfecção destes frascos);

· Identifique as amostras

· Se o transporte até o laboratório se fizer dentro de duas horas após a coleta, poderá ser feito à temperatura ambiente e se até cinco horas, sob refrigeração.

- Para o isolamento: Os meios de cultura utilizados para semeadura da amostra biológica recebida, dependem da padronização de cada laboratório.

Basicamente são empregados:

· Meio líquido de enriquecimento para Salmonella;

· Placas de meio diferencial e seletivo.

- Confirmação do gênero Salmonella:

· As colônias suspeitas são repicadas em meio presuntivo para enterobactérias para verificar os caracteres bioquímicos essenciais;

· Aglutinação em lâmina com anti-soros polivalentes para Salmonella (somático e flagelar)

- Para caracterização sorológica de Salmonella:

As cepas isoladas devem ser encaminhadas à Seção de Bacteriologia, Divisão de Biologia Médica, do Instituto Adolfo Lutz.

A análise antigênica das cepas é realizada por testes de aglutinação, utilizando anti-soros monovalentes somáticos e flagelares, específicos para Salmonella. A associação dos antígenos determinados permite a identificação do sorotipo em estudo.

11.2. nos alimentos – as amostras de produtos alimentícios suspeitos de terem veiculado a infecção deverão ser encaminhadas aos laboratórios regionais do I.A.L. ou ao Central. Os laboratórios privados, municipais ou estaduais que analisam produtos alimentícios podem isolar e identificar presuntivamente a Salmonella. As cepas com caracterização presuntiva deverão ser encaminhadas para a realização da sorotipagem e determinação quantitativa (número de Salmonellas por grama de alimento, para avaliação da dose infectante) conforme descrito no item anterior, acompanhadas dos dados pertinentes.

12. Conduta educativa nas salmoneloses – 1) educação sanitária da população em geral, de produtores e manipuladores de alimentos quanto à higiene, preparo e conservação de alimentos, informações sobre a doença e os alimentos envolvidos. 2) recomendações específicas de prevenção para as donas de casa e demais manipuladores de alimentos:

a) na compra- não comprar ovos com a casca rachada (sua comercialização é proibida no Estado de São Paulo); verificar se os ovos estão estocados em local arejado, limpo e fresco, longe de fontes de calor; sempre conferir o prazo de validade.

b) na utilização- sempre guardar os ovos na geladeira; não utilizar ovos com a casca rachada; lavar os ovos com água e sabão, antes de usá-los; não misturar a casca com o conteúdo do ovo;

evitar preparar alimentos a base de ovo cru ou mal cozido; não reutilizar as embalagens de ovos, nem utilizá-las para outra finalidade, pois podem estar contaminadas.

c) outros cuidados na manipulação e preparo de alimentos – higiene do local, equipamentos, utensílios e do pessoal; manutenção de fluxo adequado que impossibilite contaminação cruzada; cozimento dos alimentos por tempo adequado; armazenamento e conservação adequados, seguindo rigorosamente as temperaturas indicadas e prazos de validade; não preparar alimentos com excessiva antecipação; prevenção e controle de pragas; transporte adequado. Resfriar rapidamente alimentos em volumes reduzidos, cozimento intenso, uso de ovos e leite pasteurizados; evitar contaminação cruzada de áreas limpas e sujas ou de alimentos crus e cozidos; lavar as mãos e sanear equipamentos. Manter boas práticas de saneamento rural, higiene pessoal e manipulação. Proteger alimentos de excretas animais, humanos, de pássaros, insetos ou roedores.

13. Alimentos associados – embora possa ser transmitida por vários alimentos de origem animal como, carne, frango, leite e outros contaminados, recentemente, o ovo tem sido implicado na maioria dos casos e surtos identificados. Outros alimentos que já foram incriminados são o coco, o fermento, proteínas derivadas de caroço de algodão, peixe defumado, leite em pó e chocolate.

14. Bibliografia consultada e para saber mais sobre a doença

1. Centers for Disease Control Homepage. Salmonella Enteritidis infection. pp. 3 HTML updated: June 28, 1996.

2. Farhat C.K., Carvalho E.S., Carvalho L.H.F.R. & Succi R.C.M. Infectologia Pediátrica. Ed. Atheneu, São Paulo, 1994.

3. OPAS/OMS. El control de las Enfermedades Transmisibles en el hombre. Editor Benenson, A. S., 15 º Edição, Washington D. C., E. U. A. 1992.

4. Popoff, MY. & Le Minor, L. - Formules antigeniques des serovars de Salmonella. Centre collaborateur OMS de reference et de recherche pour les Salmonella. Paris, França, pp. 152, 1997.

5. Taunay, A. E.; Fernandes, S. A.; Tavechio A. T.. Neves, B. C.; Dias, A. M. G. & Irino, K. The role of Public Health Labarotory in the Problem of Salmonellosis in São Paulo, Brazil. Rev. Inst. Med. trop. São Paulo, 38 (2):119-127, março-abril, 1996.

6. Tavechio, A.T.; Fernandes, S.A.; Neves, B.C.; Dias, A.M.G. & Irino, K. - Changing patterns of Salmonella serovars: increase of Salmonella Enteritidis in São Paulo, Brazil. Rev. Inst. Med. trop. São Paulo, 38(5):315-322, 1996.

7. US FDA/CFSAN. Salmonella Enteritidis. BAD BUG BOOK. http://www.fda.gov (procurar em Food e em seguida em Bad Bug Book)

8. Veronesi, R. & Focaccia R. Tratado de Infectologia. Ed. Atheneu, Vol. 1, São Paulo, 1996, p. 565-574.

Equipe Técnica:

Maria Bernadete de Paula Eduardo - CVE/SES-SP (Coordenação e Redação geral)
Maria Lúcia Rocha de Mello - CVE/SES-SP (Revisão geral)
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